sábado, 21 de maio de 2011

Pensando sobre Freire

Devo confessar que, embora minha formação no ensino médio tenha tido "grandes pitadas" de Freire, na época não gostava dele. Talvez seja uma questão de maturidade. Hoje, como trabalho em um curso a distância onde a base é em Freire, estou aprendendo a entender um pouco melhor o que deveria ter compreendido há uns 15 anos atrás.

Como a idéia dessa página é discutir um pouco sobre ensino e física, não poderia deixar de compartilhar com vocês partes de alguns verbetes do Dicionário Paulo Freire (2008, pags. 62,120, 131, 321-322.

Avaliação - Freire diz: "Não é possível praticar sem avaliar a prática [...]. A prática precisa de avaliação como os peixes precisam de água e lavoura da chuva" (Freire, 1997). Ana Maria Saul comenta que para Freire, avaliar a prática é analisar o que se faz, ressaltando a importância de comparar os resultados obtidos com finalidades pretendidas e a necessidade de corrigir erros e imprecisões de práticas. Freire ainda diz, que a avaliação corrige e melhora a prática e aumenta a nossa eficiência, além de estar ligada a um grande número de saberes, entre eles: disponibilidade para o diálogo, criticidade, respeito aos saberes dos educandos, saber escutar, humildade, tolerância e convicção de que a mudança é possível.

Currículo - Currículo é, na acepção freireana, a política, a teoria e a prática do que fazer na educação, no espaço escolar, e nas ações que acontecem fora desse espaço, numa perspectiva crítico-transformadora. [..] No dizer coloquial de Paulo Freire, era preciso "mudar a cara da escola". No entanto, era fundamental que a escola quisesse mudar a cara, por isso precisava ser respeitada, consultada, fazendo-se sujeito de sua própria história.

Diálogo - Jaime José Zitkoski, na pag 131 do dicionário, escreve: "Ao longo do 3º capítulo de Pedagogia do Oprimido, Freire explicitou as condições do diálogo verdadeiro e sua implicação para uma Educação Humanizadora, coerente com o desafio da libertação humana. De modo radical oposto à Educação Bancária, o diálogo freireano deve começar já na "busca do conteúdo programático", em que estão aplicados saberes diferentes, que não podem ser impostos por alguém, mas podem emergir a partir da comunicação crítica e esperançosa sobre nossa condição de mundo. O desafio freireano é constrirmos novos saberes a partir da situação dialógica que provoca a interação e a partilha de mundos diferentes, mas que comungam do sonho e da esperança de juntos construirmos nosso ser mais."

Pesquisa/Investigação - Já nas páginas 321 e 322, Fabio da Purificação de Bastos escreve: " O momento do buscar o conteúdo programático é o que inaugura o diálogo da educação como prática da liberdade, onde se realiza a investigação do universo temático, temática significativa ou conjunto dos temas geradores, instância que os investigadores explicitarão os porquês, como e para que da sua realização para os educandos.
Nesse processo investigativo, de trabalho em equipe multidisciplinar, dialógico, comunicativo, conscientizador, criativo, de encadeamento dos temas significativos e interpenetração dos problemas, não podemos ter os seres humanos como objeto desta, mas sim seus pensamentos-linguagens e níveis de percepção referidos à realidade, suas visões de mundo, em que se encontram envolvidos seus temas geradores que desejamos apreender. Dito de outra forma, a investigação é em torno desses temas, e não sobre suas existências ou não. Isso implica assumi-la como investigação da temática significativa, contraditória por natureza existencial. Portanto, investigadores e seres humanos de uma determinada realidade concreta se tornam sujeitos da investigação."


Referências:
Freire, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à pratica educativa. São Paulo: Cortez Editora, 1997.
Freire, Paulo. Pedagogia do oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 1993.
Dicionário Paulo Freire/Danilo R. Streck. Euclides Redin, Jaime José Zitkoski, (orgs.). - Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2008.

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