segunda-feira, 6 de junho de 2011

MEC - Ciências - Freire

Como esse blog, não possui uma característica acadêmica, atrevo-me a escrevê-lo em primeira pessoa. Uma porque até o momento não exitem seguidores por aqui, e outra, para fazer um registro das coisas que ando lendo e pensando. Talvez daqui alguns meses, quando reler o que escrevo hoje, possa entender melhor minha prática enquanto professora.

Como trabalho em um curso de fomação de professores para as séres iniciais do ensino fundamental, sou professora dessas séries, e tenho formação na área de Física, tenho pensado e lido muito sobre esse mundo.

Hoje, acessei ao site do Ministério da Educação (MEC). Sei que algumas pessoas não dão muito valor para o que está escrito lá, mas penso que é uma boa base de dados para saber "o que está rolando de novo" e o que o governo federal está pensando em termos de políticas públicas. Caso eu concorde com o proposto, não custa auxiliar. Minha idéia era encontrar algo sobre o ensino de Física na educação infantil. Até encontrei algo sobre Química, mas Física propriamente dita não. Na realidade, fui parar na parte da Coleção Explorando o Ensino. Em 2011, essa coleção foi ampliada para toda a educação básica. Possui seis volumes para a educação básica (Ciências, Matemática, Geografia, História, Literatura e Língua Portuguesa, além da ampliação de livros para o ensino médio com Sociologia, Espanhol e Filosofia. Digo ampliação, pois para o ensino médio, já haviam os livros de 2004 (3 volumes de Matemática, 2 de Química, Biologia, Física e Geografia) e 2009 (2 volumes de Meio Ambiente - Antartica, Astronomia, Astronáutica, Mudanças Climáticas).

No volume destinado ao ensino de ciências, Vírgínia Torres Schall* no capítulo 12 fala sobre o grande potencial de encontro humano que temos no ambiente escolar, mas que é desperdiçado por práticas pedagógicas seculares cujos objetivos são a reprodução de conhecimentos e padronização de alunos, em vez de provocar a curiosidade sobre os mesmos. Em momentos assim, não tenho como deixar de lembrar das imagens do livro "Com Olhos de Criança" - Francisco Tonucci, páginas 81, 85, 92, 96, 147. Faz-se necessário travar um diálogo entre os sonhos, alegrias e vontades junto às crianças e jovens quando falamos sobre Ciências.

A minha questão hoje, é como trabalhar com Física seguindo os PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) nas questões de dignidade da pessoa humana, iguadade de direitos, participação e corresponsabilidade da vida social, e através dessas questões realizar um processo de construção de conhecimento, onde ocorre a problematização de questões socioeconômicas e culturais, discutindo e refletindo sobre ciência e sociedade na educação básica?

Figura 1: Discutindo as relações entre ciência e sociedade.

Imagem encontrada na página 180 do volume de Ciências da Coleção Explorando o Ensino.

Na página 181 d0 volume de Ciências da coleção citada 3º parágrafo deste post, a autora nos dá uma dica, usando Paulo Freire, já que usou na pág. 180 a palavra problematização. Para Freire, algumas palavras de temas são geradores de um processo educativo, contextualizado na realidade do educando e fazem sentido para a sua vida. " O tema gerador pressupõe um movimento pedagógico interdisciplinar e tem como princípio metodológico a promoção de uma aprendizagem global, não fragmentada, que visa proporcionar a integração do conhecimento e a transformação social... um único tema gerador geral poderá dar origem a várias palavras geradoras que deverão estar ligadas a ele em função da relação social que os sustenta".

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Doutora em Educação. Pesquisadora do Laboratório de Educação em Saúde e Ambiente - Fundação Oswaldo Cruz, Belo Horizonte, Minas Gerais.

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Referências

- BRASIL, Ministério da Educação. Secretaria da Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: introdução aos Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília, DF: MEC/SEF, 1997.

- FREIRE, Paulo: A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 21 edição. São Paulo: Cortez/Autores Associados, 1988.

- TONUCCI, Francesco: Com olhos de criança / Francesco Tonucci ; tradução Patrícia Chottoni Ramos. - Porto Alegre : Artmed, 1997.

sábado, 21 de maio de 2011

Pensando sobre Freire

Devo confessar que, embora minha formação no ensino médio tenha tido "grandes pitadas" de Freire, na época não gostava dele. Talvez seja uma questão de maturidade. Hoje, como trabalho em um curso a distância onde a base é em Freire, estou aprendendo a entender um pouco melhor o que deveria ter compreendido há uns 15 anos atrás.

Como a idéia dessa página é discutir um pouco sobre ensino e física, não poderia deixar de compartilhar com vocês partes de alguns verbetes do Dicionário Paulo Freire (2008, pags. 62,120, 131, 321-322.

Avaliação - Freire diz: "Não é possível praticar sem avaliar a prática [...]. A prática precisa de avaliação como os peixes precisam de água e lavoura da chuva" (Freire, 1997). Ana Maria Saul comenta que para Freire, avaliar a prática é analisar o que se faz, ressaltando a importância de comparar os resultados obtidos com finalidades pretendidas e a necessidade de corrigir erros e imprecisões de práticas. Freire ainda diz, que a avaliação corrige e melhora a prática e aumenta a nossa eficiência, além de estar ligada a um grande número de saberes, entre eles: disponibilidade para o diálogo, criticidade, respeito aos saberes dos educandos, saber escutar, humildade, tolerância e convicção de que a mudança é possível.

Currículo - Currículo é, na acepção freireana, a política, a teoria e a prática do que fazer na educação, no espaço escolar, e nas ações que acontecem fora desse espaço, numa perspectiva crítico-transformadora. [..] No dizer coloquial de Paulo Freire, era preciso "mudar a cara da escola". No entanto, era fundamental que a escola quisesse mudar a cara, por isso precisava ser respeitada, consultada, fazendo-se sujeito de sua própria história.

Diálogo - Jaime José Zitkoski, na pag 131 do dicionário, escreve: "Ao longo do 3º capítulo de Pedagogia do Oprimido, Freire explicitou as condições do diálogo verdadeiro e sua implicação para uma Educação Humanizadora, coerente com o desafio da libertação humana. De modo radical oposto à Educação Bancária, o diálogo freireano deve começar já na "busca do conteúdo programático", em que estão aplicados saberes diferentes, que não podem ser impostos por alguém, mas podem emergir a partir da comunicação crítica e esperançosa sobre nossa condição de mundo. O desafio freireano é constrirmos novos saberes a partir da situação dialógica que provoca a interação e a partilha de mundos diferentes, mas que comungam do sonho e da esperança de juntos construirmos nosso ser mais."

Pesquisa/Investigação - Já nas páginas 321 e 322, Fabio da Purificação de Bastos escreve: " O momento do buscar o conteúdo programático é o que inaugura o diálogo da educação como prática da liberdade, onde se realiza a investigação do universo temático, temática significativa ou conjunto dos temas geradores, instância que os investigadores explicitarão os porquês, como e para que da sua realização para os educandos.
Nesse processo investigativo, de trabalho em equipe multidisciplinar, dialógico, comunicativo, conscientizador, criativo, de encadeamento dos temas significativos e interpenetração dos problemas, não podemos ter os seres humanos como objeto desta, mas sim seus pensamentos-linguagens e níveis de percepção referidos à realidade, suas visões de mundo, em que se encontram envolvidos seus temas geradores que desejamos apreender. Dito de outra forma, a investigação é em torno desses temas, e não sobre suas existências ou não. Isso implica assumi-la como investigação da temática significativa, contraditória por natureza existencial. Portanto, investigadores e seres humanos de uma determinada realidade concreta se tornam sujeitos da investigação."


Referências:
Freire, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à pratica educativa. São Paulo: Cortez Editora, 1997.
Freire, Paulo. Pedagogia do oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 1993.
Dicionário Paulo Freire/Danilo R. Streck. Euclides Redin, Jaime José Zitkoski, (orgs.). - Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2008.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Apresentação

Olá amigos!

O objetivo deste blog não é trabalhar questões sobre aquela física que nos dá medo só de ouvir falar, cheia de fórmulas ou teorias muito complexas. A ideia, é percebê-la em atividades que podemos fazer com as crianças, seja na forma de jogo, brincadeira, experiências onde os principais personagens não são aqueles nomes famosos como Isaac ou Albert, e sim nomes como Atrito, Peso...

Para facilitar ao leitor encontrar questões mais específicas, o blog será dividido em quatro partes:

- Apresentação
- Educação Infantil - brincadeiras e atividades para realizar com as crianças
- Séries Iniciais - atividades e experiências simples de serem realizadas em sala de aula
- Bibliografia Sugerida - alguns livros legais de termos por perto quando temos uma criança ou adolescente por perto. Neste espaço, também é possível encontrar algumas citações dos livros indicados.